Líder do Talibã diz que Sharia está acima das “leis ocidentais” no Afeganistão
- 02/04/2025

O líder supremo do Talibã declarou, no domingo (30/03), que "não há necessidade" de leis ocidentais no Afeganistão, afirmando que a democracia está morta enquanto as leis islâmicas, descritas na Sharia, forem aplicadas.
Hibatullah Akhundzada discursou durante um sermão em comemoração ao Eid al-Fitr, um feriado islâmico, na Mesquita Eidgah, em Kandahar, no sul do país.
"Não há necessidade de leis originadas do Ocidente. Nós criaremos nossas próprias leis", disse Akhundzada ao enfatizar a importância das leis islâmicas, de acordo com o áudio de sua mensagem publicado no X pelo porta-voz-chefe do governo Talibã, Zabihullah Mujahid.
A interpretação da Sharia pelo Talibã impôs restrições às mulheres e meninas afegãs, proibindo o acesso delas à educação, de trabalhar em diversas áreas e frequentar a maioria dos espaços públicos.
Essas leis isolaram o Talibã da comunidade internacional, embora o grupo tenha conseguido formar relações diplomáticas com países como China e Emirados Árabes Unidos.
Desde que o Talibã assumiu o controle do Afeganistão em 2021, durante a retirada tumultuada das tropas dos EUA e da OTAN, Akhundzada adotou uma postura mais rígida em suas políticas, mesmo após algumas autoridades inicialmente prometerem um governo mais moderado.
Grupo terrorista
O líder supremo do grupo terrorista condenou o Ocidente em suas declarações no domingo, afirmando que os não crentes estão unidos contra os muçulmanos e que os EUA, junto a outros países, compartilham uma postura hostil ao islamismo, citando como exemplo o conflito entre Israel e o Hamas em Gaza.
Akhundzada afirmou que a democracia chegou ao fim no Afeganistão, ressaltando que a Sharia está agora em vigor. Ele também alegou que os defensores da democracia estão tentando separar o povo do governo liderado pelo Talibã.
O Talibã enfrenta pouca oposição confiável, tanto interna quanto externamente. No entanto, algumas figuras de destaque no governo têm criticado o processo de tomada de decisão da liderança, bem como a centralização do poder no círculo próximo a Akhundzada.
Alguns integrantes do Talibã defendem um maior envolvimento no cenário internacional e a flexibilização de políticas rígidas para conquistar mais apoio externo.
Nos últimos meses, o Talibã e os EUA, durante a presidência de Donald Trump, intensificaram seu engajamento, com foco principalmente em trocas e libertações de prisioneiros.